domingo, 16 de janeiro de 2011

Não!




Não te quero meu!
Te quero solto
no mundo,
no mais profundo
sonho de liberdade!

Não te quero meu!
Te quero teu,
sem culpas,
sem desculpas,
sem condenações...

Não te quero meu!
Te quero vivo,
pulsante,
delirante,
poetante,
viajante,
visitante nos mundos
em que habito...

(mas te aviso... são loucos os mundos em que habito...)

Não te quero meu!
Te quero inteiro,
verdadeiro, tu mesmo,
a esmo,
a dobrar esquinas
que são tuas
e não minhas...

Não te quero meu!
Te quero o que chega
e sai...
na hora precisa
e nem me avisa...

Não te quero meu!
Pois, só assim,
em segundos,
nós dois, profundos,
sob a lua, toda nua,
fecundaremos
um novo mundo!

Autora: Jussara Cony

Auto-retrato do sistema fracassado





Auto-retrato do sistema fracassado

Eu sou
aquela criança
que perambula pelas ruas
das cidades capitalistas.

Eu sou
aquela adolescente
Que se prostituiu,
Porque a sociedade
estuprou a sua dignidade.


Eu sou
aquele vagabundo
que o caos social gerou.

Eu sou
aquele homem
que entrou em desatino,
porque seus filhos estão com fome
e ele não tem o pão para alimentá-los.

Eu sou
aquele revoltado
que, de tanto gritar
contra as injustiças
praticadas com o povo,
o governo abafou a sua voz.

Eu sou
aquele camponês
que, por não terem
dado-lhe a terra e
a oportunidade para plantar,
mendiga o pão nas metrópoles.


Eu sou
aqueles favelados
que os gabinetes
ignoram suas existências.

Eu sou
aquele que,
por ter a pele de cor negra,
recaem sobre si
o preconceito e
a discriminação racial,
por parte duma sociedade
Injusta, ingrata e hipócrita.

Eu sou
aqueles excluídos
que, por força
do modelo de vida
que lhes é imposto,
não conseguem perceber
a força e a grandeza que possuem,
diante dos seus opressores.

Eu sou
aquele idoso
que, após ter dado sua vida
trabalhando a construção do País,
sofre com o desprezo e
com a indignidade do sistema.

Eu sou
aquele inconseqüente
que as instituições
do sistema produziu.

Eu sou
aquele que,
apesar dos desencantos,
e das decepções,
não perdeu o ânimo,
nem a determinação
de continuar firme,
em busca da justiça social.

Peraí!... Peraí!... Peraí!...

Será que eu
não sou você?

Autor: Iraquitan Oliveira
Brasília – janeiro de 2008




quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Devaneio






Devaneio

Queria ser poeta!
para transformar
o meu tormento
em versos e prosa que
embora tristes
tocassem outras almas
que como eu
sofrem desse
mal chamado Amor!

Eu escreveria
até minha total exaustão
talvez assim
quem sabe?
esvaziaria-me
de mim mesma
aliviando a minha alma
de tamanho sofrer!

E então
nem mais amasse...
nem mais lembrasse...
nem mais sofresse...

Mas
amo
lembro
sofro...
por amor!
por amor!!!
Meu amor!!!

R.Zíngara

Despedida




Despedida

E será assim
minha despedida:
noite de lua
céu estrelado
o banquete dos vermes
será preparado
Eu!

Vestida de branco
sobre a mesa deitada
e em desespero
a minha amada
ao despedir-se de mim
- Não chores querida
sorria!... Sorria!!!

Assim
como no tempo
em que eu vivia
nos quais
eram venturosos
nossos momentos!...

Agora leve!
Livre da carcaça humana
o meu espírito
seguirá adiante
para encontrar-te
em outra existência!

R. Zíngara

domingo, 2 de janeiro de 2011

Mulher, o rosto da paz!



Uma noite...




Uma noite...

Numa noite
coloquei um raminho
de alecrim
debaixo do meu travesseiro
e sonhei...
sonhos de amor contigo!

Um raminho de alecrim
e meus mundos
descobertos,
em sonhos,
por ti...

Um raminho de alecrim
e teus sentires
abertos,
em sonhos,
por mim...

Um pequeno,
perfumado,
e doce,
raminho
de
alecrim..

Simples,
assim..

E nossos
sagrados
sonhos
de
Liberdade...


Jussara Cony
Porto Alegre, RS

RETRATO DE MIM






Hoje amanheci

revirando minhas gavetas,

me virando pelo avesso,

olhando para mim.


Amanheci

chuvosa,

inundada,

encharcada de sentimentos

ausências,

em minha avalanche

sentimentos confusos,

invadida por uma vontade imensa de sair de mim

Olhei-me no espelho

me vi tentando me reconhecer...

saber quem sou hoje...

R.Zíngara(V.L)