domingo, 16 de janeiro de 2011
Auto-retrato do sistema fracassado
Auto-retrato do sistema fracassado
Eu sou
aquela criança
que perambula pelas ruas
das cidades capitalistas.
Eu sou
aquela adolescente
Que se prostituiu,
Porque a sociedade
estuprou a sua dignidade.
Eu sou
aquele vagabundo
que o caos social gerou.
Eu sou
aquele homem
que entrou em desatino,
porque seus filhos estão com fome
e ele não tem o pão para alimentá-los.
Eu sou
aquele revoltado
que, de tanto gritar
contra as injustiças
praticadas com o povo,
o governo abafou a sua voz.
Eu sou
aquele camponês
que, por não terem
dado-lhe a terra e
a oportunidade para plantar,
mendiga o pão nas metrópoles.
Eu sou
aqueles favelados
que os gabinetes
ignoram suas existências.
Eu sou
aquele que,
por ter a pele de cor negra,
recaem sobre si
o preconceito e
a discriminação racial,
por parte duma sociedade
Injusta, ingrata e hipócrita.
Eu sou
aqueles excluídos
que, por força
do modelo de vida
que lhes é imposto,
não conseguem perceber
a força e a grandeza que possuem,
diante dos seus opressores.
Eu sou
aquele idoso
que, após ter dado sua vida
trabalhando a construção do País,
sofre com o desprezo e
com a indignidade do sistema.
Eu sou
aquele inconseqüente
que as instituições
do sistema produziu.
Eu sou
aquele que,
apesar dos desencantos,
e das decepções,
não perdeu o ânimo,
nem a determinação
de continuar firme,
em busca da justiça social.
Peraí!... Peraí!... Peraí!...
Será que eu
não sou você?
Autor: Iraquitan Oliveira
Brasília – janeiro de 2008
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