domingo, 9 de outubro de 2011





O beijo não não beijado


Sei de lá nada
Nada de onde
Não sei se
Hei de chegar...

Sei de lá nada...
Mas, sei que
O sabor do beijo
Que se quis, mas,
Não foi beijado
Trás um gosto
Doce amargo
Da esperança e
Da ocasião perdida!...

De nada sei de lá...
Donde se esconde
O bem-querer
Que se quer bem!...

O beijo não beijado
O sentimento não tocado
A paixão retraída
A saudade sem despedida...
O afago sem a fala e sem o toque...

Isso é coisa de alma...
Onde os loucos se percebem!...

De nada sei de lá...
Apenas vivo minha
Doce loucura de cá!



Autor: Iraquitan Oliveira
Brasília, em outubro de 2011.




sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Estranha Saudade

Estranha
Essa saudade
Que nos arrasta
Pelas paredes
Da esperança
Na casa da vida,
Na rua do destino
Por onde o tempo baila
Em suave ventania...

Quero
A tua presença
Em meus dias!...
Quero meus sonhos
Repousando em teu sono,
Quero teus desejos
Abrigados em meu ser!...

Estranha
Essa saudade!...
Que embala minh’alma
Pelos campos da paixão!

Em meus dedos
A expressão do afã
Que anseia pelo
Toque em teu corpo de mulher!
Estranha saudade
Que invade minhas entranhas!

Autor: Iraquitan Oliveira
São Luiz-MA, outubro de 2011.

sábado, 24 de setembro de 2011

Onde?

Onde as conversas?
Intermináveis...
se não interrompidas,
a todo instante, por circunstâncias...

Onde os versos trocados?
como carícias soltas pelos ares...

Onde o tocar das mãos, bailarinas mãos?
O beijo eternizado?
Os abraços apertados, demorados
na esperança de espantar saudades...


Onde o silêncio?
que escutava o coração
a tudo dizer pelo olhar de eternidade...

Onde?

Seus lugares tomados pela indelicadeza?

Onde?

Em poesias não ditas?

Em verdades não ditas?

Em desistências? (como se a vida as merecesse...)

E a noite fria,
Silencia...
Quando a tristeza
ocupa o espaço da alegria...

E, comodamente, se afirma: é a vida...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

À moda antiga

À moda antiga!


Sou do tempo
da conversa olho no olho
do abraço apertado
do aperto de mão!...

Sou do tempo
em que ser militante
era juntar gente
pra fazer reunião e protestos nas ruas...

Sou do tempo
em que acreditar na revolução
era fazer discursos na praça
usando carro de som ou megafone

Sou do tempo
onde a coragem
sempre vencia a covardia!

Sou do tempo
onde não ficávamos
em meras retóricas
mas, sabíamos avançar
na luta concreta
com a cara na rua
enfrentando de peito aberto
os imbecis do poder!...

Sou do tempo
em que a honra
era, e ainda é, a base
de nossa ação cotidiana!

Sou do tempo
em que acreditar
em uma sociedade
justo e fraterna
estava sempre além do espaço virtual...

Sou do tempo
em que ser Palmarense
era não temer a nada nem a ninguém!
Muito menos aos idiotas armados no poder!

Autor: Iraquitan Oliveira
Brasília-DF, em 21 de julho de 2011

domingo, 3 de abril de 2011

Qual é o tempo do amor?


As árvores
eram siluetas ao por do sol...

O por do sol,
incandescente ao findar da tarde...

A tarde,
tardou em esperas...

As esperas,
recompensadas pelo chegar...

O chegar,
vencendo cercas e cancelas...

As cercas e cancelas,
desaparecendo no abraço...

O abraço,
matando a saudade...

A saudade,
trocada por beijos...

Os beijos,
abrindo espaços ao olhar...

O olhar,
transmitindo o amor...

O amor,
ah, o amor...

Testemunhado por um pássaro...

Um pássaro,
no último galho da árvore...

A árvore,
fechando o ciclo de minutos...

Os minutos,
transmutando-se em tempos...

Os tempos,
relembrando outras vidas...

Outras vidas,
de mãos dadas voando...

De mãos dadas voando,
ao encontro de uma nuvem...

Uma nuvem,
acolhendo anjos
de violetas e douradas asas...

Nuvem de sonhos...
Anjos de sonhos...
Asas de sonhos...

E a volta!
triste volta,
necessária volta,
imperiosa volta...

À terra!

Terra que, amorosamente,
agasalha,
acolhe,
compreende!
A árvore,
o pássaro,
o homem e a mulher,
o menino e a menina
(de cor de cuia... de clara cor...)

Resumo:
quem sabe este seja o tempo do amor...

Qual é o tempo do amor?

terça-feira, 8 de março de 2011

Mulher


Sou feita de tudo!
Músculos, ossos,
hormônios, sangue,
cérebro e coração...
De pernas e braços
a andar, pedir ajuda.
De mãos que acenam,
dão, recebem
e buscam o pão.
De pés ágeis,
às vezes cansados
do imenso andar...
De olhos abertos
buscando o mundo.
Fechados na emoção,
no riso
e na beleza do amor...
Sou feita da boca que cala
ao balbuciar da criança,
à sabedoria dos velhos,
à rebeldia da juventude.
E da boca que escancara
frente à injustiça e opressão...
E que murmura cantigas de ninar
e não nega o beijo.
Sou feita de medos e incertezas
e de muita coragem e esperança.
Sou feita de útero explodindo
vidas pra transformação
e de seis fartos
do leite da criação.
Sou feita de buscas...
dos Direitos, do Trabalho,
da Terra, do Pão e
da Liberdade!
Sou feita do Amor,
Sou feita da Humanidade!

8 de março de 2011...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Ais

A poesia,
em asas de fantasia,
aquieta minha alma...

Voadora alma,
percorrendo caminhos
de "ais de mim"...

Ais de mim,
de ti,
tantos ais...

De saudades,
de sono,
de felicidades,
de sonhos,
de carinhos,
de paz...

Ais do amor
de crianças
a brincar de roda
com a vida...


terça-feira, 1 de março de 2011

Em mim






Em mim


Em mim
o desejo
de mergulhar
em teus beijos
e me afogar
na ternura do teu ser!...

De navegar
nas curvas
do teu corpo
e beber o néctar
do nosso amor!

Em mim
a paixão latente
as quimeras
em fervor
assim como
os dias que
a vida me oferece...

Em mim
a certeza
do sonho de amor
que você se fez significar!

Autor: Iraquitan Oliveira
Brasília-DF, em março de 2011.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fragmentação





Fragmentação

Meus dias
têm sido de trilhar
sob a ventania do
Silêncio em mim mesmo!...
A esmo...

No deserto do meu ser
À busca do "nem sei o que"...

É engraçado
assim tão absorto
perdido, confuso
do destino
querendo entender o óbvio...

Sou eu
o mais fragmentado
dos seres humanos!

Em pedaços
da minha existência!...
Querendo juntar
para compreender a lógica!

A fecundação
a criatividade remota...
Os sonhos...
Ah! Os sonhos!...
É um tal de "sei lá"...

Quantos fragmentos!...
Em quantos fragmentos
hei de me encontrar?
Se me encontrar!
Se me encontrar!


Autor: Iraquitan Oliveira
Brasília-DF, em fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Onde foram nos buscar?


Onde foram nos buscar?
Em tempos e não-tempos,
em chegadas não decifradas...

De onde surgimos?
De luas?
De planetas errantes?
De escombros?
de perguntas?
(sem respostas...)

De explosões cósmicas?
De vulcão em explosão?
De estrelas azuis?
Dos fundos dos rios?
Caímos dos céus?
Saímos dos infernos?

Resultamos de separações continentais?
De mares abertos às passagens de Profetas?

Viemos das florestas tropicais
e seus sagrados rituais?

Onde acumulamos sabedoria
sendo menino - menina?

Donde as palavras,
os versos?
as prosas?

Donde o brincar?
Brincadeiras nossas...
inventadas... encantadas?

Donde o amar,
o sorrir, gargalhar?
Poesias que trocamos
como carícias?

Menino, presta atenção
no que te digo!

Se brincamos
com tanta ternura,
um dia
vamos dançar na rua...
amar na praia
sob a luz da lua...

Depois,
dobrar a esquina,
na multidão...
Espalhando interrogação????
Causando exclamação!!!

Quiçá, indignação...


Jussara Cony
Porto Alegre, RS

domingo, 16 de janeiro de 2011

Não!




Não te quero meu!
Te quero solto
no mundo,
no mais profundo
sonho de liberdade!

Não te quero meu!
Te quero teu,
sem culpas,
sem desculpas,
sem condenações...

Não te quero meu!
Te quero vivo,
pulsante,
delirante,
poetante,
viajante,
visitante nos mundos
em que habito...

(mas te aviso... são loucos os mundos em que habito...)

Não te quero meu!
Te quero inteiro,
verdadeiro, tu mesmo,
a esmo,
a dobrar esquinas
que são tuas
e não minhas...

Não te quero meu!
Te quero o que chega
e sai...
na hora precisa
e nem me avisa...

Não te quero meu!
Pois, só assim,
em segundos,
nós dois, profundos,
sob a lua, toda nua,
fecundaremos
um novo mundo!

Autora: Jussara Cony

Auto-retrato do sistema fracassado





Auto-retrato do sistema fracassado

Eu sou
aquela criança
que perambula pelas ruas
das cidades capitalistas.

Eu sou
aquela adolescente
Que se prostituiu,
Porque a sociedade
estuprou a sua dignidade.


Eu sou
aquele vagabundo
que o caos social gerou.

Eu sou
aquele homem
que entrou em desatino,
porque seus filhos estão com fome
e ele não tem o pão para alimentá-los.

Eu sou
aquele revoltado
que, de tanto gritar
contra as injustiças
praticadas com o povo,
o governo abafou a sua voz.

Eu sou
aquele camponês
que, por não terem
dado-lhe a terra e
a oportunidade para plantar,
mendiga o pão nas metrópoles.


Eu sou
aqueles favelados
que os gabinetes
ignoram suas existências.

Eu sou
aquele que,
por ter a pele de cor negra,
recaem sobre si
o preconceito e
a discriminação racial,
por parte duma sociedade
Injusta, ingrata e hipócrita.

Eu sou
aqueles excluídos
que, por força
do modelo de vida
que lhes é imposto,
não conseguem perceber
a força e a grandeza que possuem,
diante dos seus opressores.

Eu sou
aquele idoso
que, após ter dado sua vida
trabalhando a construção do País,
sofre com o desprezo e
com a indignidade do sistema.

Eu sou
aquele inconseqüente
que as instituições
do sistema produziu.

Eu sou
aquele que,
apesar dos desencantos,
e das decepções,
não perdeu o ânimo,
nem a determinação
de continuar firme,
em busca da justiça social.

Peraí!... Peraí!... Peraí!...

Será que eu
não sou você?

Autor: Iraquitan Oliveira
Brasília – janeiro de 2008




quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Devaneio






Devaneio

Queria ser poeta!
para transformar
o meu tormento
em versos e prosa que
embora tristes
tocassem outras almas
que como eu
sofrem desse
mal chamado Amor!

Eu escreveria
até minha total exaustão
talvez assim
quem sabe?
esvaziaria-me
de mim mesma
aliviando a minha alma
de tamanho sofrer!

E então
nem mais amasse...
nem mais lembrasse...
nem mais sofresse...

Mas
amo
lembro
sofro...
por amor!
por amor!!!
Meu amor!!!

R.Zíngara

Despedida




Despedida

E será assim
minha despedida:
noite de lua
céu estrelado
o banquete dos vermes
será preparado
Eu!

Vestida de branco
sobre a mesa deitada
e em desespero
a minha amada
ao despedir-se de mim
- Não chores querida
sorria!... Sorria!!!

Assim
como no tempo
em que eu vivia
nos quais
eram venturosos
nossos momentos!...

Agora leve!
Livre da carcaça humana
o meu espírito
seguirá adiante
para encontrar-te
em outra existência!

R. Zíngara

domingo, 2 de janeiro de 2011

Mulher, o rosto da paz!



Uma noite...




Uma noite...

Numa noite
coloquei um raminho
de alecrim
debaixo do meu travesseiro
e sonhei...
sonhos de amor contigo!

Um raminho de alecrim
e meus mundos
descobertos,
em sonhos,
por ti...

Um raminho de alecrim
e teus sentires
abertos,
em sonhos,
por mim...

Um pequeno,
perfumado,
e doce,
raminho
de
alecrim..

Simples,
assim..

E nossos
sagrados
sonhos
de
Liberdade...


Jussara Cony
Porto Alegre, RS

RETRATO DE MIM






Hoje amanheci

revirando minhas gavetas,

me virando pelo avesso,

olhando para mim.


Amanheci

chuvosa,

inundada,

encharcada de sentimentos

ausências,

em minha avalanche

sentimentos confusos,

invadida por uma vontade imensa de sair de mim

Olhei-me no espelho

me vi tentando me reconhecer...

saber quem sou hoje...

R.Zíngara(V.L)